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Powell diz que Fed está “fortemente comprometido” com combate à inflação, mas que não tenta provocar recessão

Crédito: Graeme Jennings/Pool via REUTERS

Jerome Powell, chair do Fed, foi ao Comitê Bancário do Senado (Crédito: Graeme Jennings/Pool via REUTERS)

Por Ann Saphir e Lindsay Dunsmuir

(Reuters) – O Federal Reserve está “fortemente comprometido” em reduzir a inflação que está na máxima de 40 anos e as autoridades estão agindo “rapidamente para fazê-lo, mas sem tentar causar uma recessão no processo, disse o chair do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, nesta quarta-feira.



“É essencial que reduzamos a inflação se quisermos ter um período sustentado de fortes condições do mercado de trabalho que beneficiem a todos”, disse Powell em declarações preparadas ao Comitê Bancário do Senado, acrescentando que o banco central vai nos próximos meses buscar “evidências claras” de alívio nas pressões de preços.

Embora essas altas dos juros tenham feito com que as condições financeiras se apertassem “significativamente”, não é o objetivo do Fed levar a economia a uma recessão para controlar a inflação, completou Powell.

“Não estamos tentar provocar, e não acho que precisaremos provocar, uma recessão”, disse Powell em resposta à pergunta de um membro do comitê do Senado.

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A inflação continua bem acima da meta de 2% do Fed. Uma medida de aumento de preços que exclui os custos voláteis de alimentos e energia pode ter se estabilizado ou diminuído um pouco no mês passado, disse Powell, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia e os lockdowns na China contra a Covid-19 estão colocando contínua pressão de alta sobre a inflação.

Powell compareceu perante o comitê do Senado uma semana depois de o Fed ter elevado sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual –o maior aumento desde 1994– para uma faixa de 1,5% a 1,75%, sinalizando que os juros subirão mais 1,75 ponto este ano.


Essa forte trajetória de aumento de juros, desenhada para desacelerar a economia, provocou preocupações generalizadas com uma recessão e o enfraquecimento dos mercados de trabalho.

Ao comitê do Senado nesta quarta-feira, Powell prometeu um “foco abrangente” em reduzir a inflação e reiterou que aumentos contínuos nos juros pelo Fed serão apropriados, com o ritmo exato dependendo do cenário econômico.

“A inflação obviamente surpreendeu para cima no último ano, e mais surpresas podem estar reservadas”, disse ele, acrescentando que as autoridades de política monetária devem ser “ágeis” em resposta aos dados recebidos e às perspectivas em evolução.

“A economia norte-americana é bastante forte e bem posicionada para lidar com uma política monetária mais apertada”, disse ele.

AMBIENTE EM MUDANÇA

As observações de Powell ao comitê também mostraram o quanto o ambiente de inflação mudou nos meses desde que ele entregou o primeiro de seus relatórios semestrais aos parlamentares.

Na época, ele descreveu a inflação –que estava em 6% ao ano pela medida preferida do Fed– como “provável de cair ao longo do ano”.

Poucos sinais disso surgiram desde essas observações, apesar de três aumentos de juros que elevaram a taxa básica do Fed de quase zero para uma faixa de 1,50% a 1,75% no espaço de 13 semanas –com mais aumentos nos custos de empréstimos por vir.

Projeções divulgadas pelos membros do Fed na semana passada mostraram que eles esperam que o crescimento econômico desacelere para abaixo da tendência este ano, enquanto a taxa de desemprego dos EUA –atualmente de 3,6%– começa a subir. Enquanto isso, eles moderaram materialmente sua expectativa de quão rapidamente a inflação diminuirá, com uma previsão mediana de uma taxa anual no final de 2022 diminuindo para 5,2% por sua medida preferida, de 6,3% previstos em abril. Em março, eles calcularam essa leitura em 4,3%.

Contratos futuros de juros precificam totalmente uma alta de 0,75 ponto na reunião de julho do banco central e em torno de 50% de chances de uma taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% no final deste ano.

As observações de Powell deram início ao primeiro de dois dias de aparições no Congresso para atualizar os parlamentares norte-americanos sobre o estado da economia e da política monetária. Ele irá falar perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara na quinta-feira.

(Reportagem de Dan Burns, Ann Saphir, Lindsay Dunsmuir)

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